Mas o que me tirou o fôlego foi um jovem.Ele
segurava uma sacola. De lá, tirou um presente para cada colega. Não eram lembranças genéricas. Ele olhou nos olhos de cada um, nominalmente, e agradeceu por particularidades. Agradeceu o apoio, o cuidado e, acima de tudo, a paciência nos dias em que ele duvidou de si mesmo.Havia ali uma vulnerabilidade explícita, uma ausência total de filtros ou defesas. Em uma época onde todos nos escondemos por medo da exposição, ele entregou uma autenticidade pura, quase ingênua, misturada a uma dor visível por ver seu porto seguro se desfazendo.Dizem que o mundo corporativo não tem espaço para quem sente demais ou funciona em outro ritmo. Mas naquele dia, aquele rapaz me provou o contrário: ele deixou uma marca profunda naquelas pessoas porque teve a coragem de ser terno, de expor a dor da despedida, o adeus a dias tão recentes mas que já tinham virado passado, com gosto de distancia. Ele não estava preocupado com suas lágrimas caindo e os olhares em volta. Ele estava vivendo sua dor, num momento onde a maioria escolhe ser fria, ou 'deixar pra lá'. Saí de lá torcendo para que o futuro seja gentil com ele. O mundo precisa urgentemente da pureza de quem ainda sabe agradecer, um a um, os pequenos gestos de atenção.

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